sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A volta ao blog...

quando comecei este blog [Março de 2010], eu queria mesmo ajudar pessoas a se livrarem do vício do cigarro. o tempo foi passando, muita coisa acontecendo e acabei não me dedicando como queria. mas eis que surge o bravíssimo Dr. Drauzio, via Fantástico, com uma senhora campanha pelo Brasil, querendo incentivar, estimular e minimizar os danos de quem vai apostar nesta sábia decisão e deixar o maledito cigarro!
assim, tomei meu chá de semancol e voltei a postar. vou continuar de onde parei.
afinal, está tão na moda ser livre, que eu não posso deixar escapar esse privilégio que conquistei, me livrando desse malfeitor de todos os tempos.
para quem deseja largar o vício, vai precisar de muito mais que um simples desejo de boa sorte: vai ter que aprender a amar a si mesmo e assim, só assim, poderá enxergar o amor dos outros.
sem fumaça. prometo.

\o/

terça-feira, 30 de março de 2010

Mudanças II



sempre fui uma apaixonada por perfumes, texturas, beleza. claro, o que na época parecia ser apenas um apurado gosto meu, já era uma carinhosa referência ao meu trabalho envolvendo as artes visuais. façamos um teste bem simples...você consegue lembrar o cheiro da comida que sua avó fazia? parece bobagem, mas apelar para estas lembranças hoje, funciona como mais uma molinha para eu me manter firme no meu propósito de não pertencer a nenhum vício.
pois bem, eu fiquei muitos anos sem lembrar como era. porque fumantes não se "apegam" mais a coisas assim, voláteis. fumantes fumam, apenas isto. vão entorpecendo o cérebro, obrigando-o a fazer uso de outros recursos para "imprimir" perfumes diferentes na vida do fumante, ou seja, nenhum. porque com tanta provocação sensorial, todos os sentidos vão sendo sumária e cruelmente a[du]lterados. e aqui, desejo dar ênfase ao duo que considero paradisíaco: o paladar e o olfato. riquíssimos, e sem dúvida nenhuma, os mais sacrificados.
parece até proposital, e é. a nicotina e todos os seus apetrechos, fazem um excelente trabalho. sem o olfato apurado, você não percebe mais o quanto cheira mal e é inconveniente. sem o paladar, você emagrece e acha super normal não comer bem, nem muito, nem direito...não sentir mais qualquer falta de um chocolatezinho, uma fatia  daquela sobremesa que você brigava por ela no passado! engraçado, não acha?
eu hipotetizo e brinco a sério, que seja algo assim: como nosso cérebro é mesmo uma senhora máquina, ele reinventa as necessidades desse organismo fumante, e vai apagando tudo o que não faz mais parte deste universo...se a gente não lembra, não sabe mais fazer, não sente falta do que "não viveu". acho eu; pelo menos foi o que andei deduzindo depois da minha decisão contra o cigarro, a meu favor.
outro ponto intrigante. enquanto adolescente, eu dormia demais em alguns dias. em outros ficava insone e daí culpava o namoro, ou alguma coisa pela escola, ou uma briga com a melhor amiga. a tristeza dava vazão à insônia e muito pior que ela...
qualquer coisa ia se tornando um bom motivo para levantar e ir já, desde cedo, aperfeiçoando o maldito vício de fumar a qualquer hora, bastava estar de pé.


*quase dá para apostar que você está lembrando de que quando acorda, a primeira coisa que faz é acender um cigarro...acertei? pois é, nesse post eu resumo o que consegui lembrar quando isto começou a acontecer comigo. mais um item importante que deve entrar naquela primeira listinha das observações que fiz no primeiro post: "ser fumante não é fácil, não. você recebe treinamento."

Mudanças I

durante muito tempo, eu realmente não conseguia lembrar, de como era  a minha vida antes do cigarro. a impressão que tenho quando penso sobre o assunto, é que a parte da minha vida em que ainda não fumava, ficou por todo um tempo comprometedor, fadada ao esquecimento. e com ela, toda a parte muito rica da minha adolescência.
quando você só tem 13 anos, é mega normal gostar de esportes? não era naquela época, mas eu amava correr. se tivesse qualquer oportunidade, eu saía correndo só para sentir quanto, com o vento, eu poderia chegar. era coisa de criançona mesmo. mas o cigarro foi me tirando isso, bem aos pouquinhos que era mesmo pra eu não dar conta, não sentir falta, não entender a gravidade da coisa.
parece romanceado isso, né! mas não é não. estou escrevendo exatamente como entendo isto hoje.
quando se é adolescente, em uma fase tão importante da vida, a gente quer experimentar coisas, aventurar-se. e tem muitas alternativas, muita coisa boa que se pode vivenciar sem causar dano a longo prazo. eventualmente, a gente pode até ter algum acidente, é a vida. não podemos fingir que fatalidades não existem.
mas o que dizer quando o cigarro é uma escolha? pois é. é bem diferente.

então, fumando todo dia um pouco, eu fui acostumando meu organismo. fui deixando de respirar direito e sem perceber, escolhia acelerar um processo que deveria ser natural: o envelhecimento. mas claro, aos 13, você só quer "curtir", fumar, estar com amigos "maiores" que também fumam, fazer charme com o dito entre os dedinhos, e nem percebe que você está perdendo uma coisa única, que nos identifica pra o mundo, para a natureza. perdemos o nosso cheiro pessoal.
é aquela tão falada marca registrada que muito mais sensivelmente entre os animais, existe também para conectá-los.
com tanta fumaça, tanta toxina com os mais diferentes nomes impregnando a derme, sob ela, e cada vez mais profundamente, um dia você simplesmente não tem mais um cheiro seu. e não haverá shampoo para dar jeito...nem perfume...nem nenhum daqueles óleos miraculosos...

quando comecei...?

 todo mundo lembra ou pelo menos deveria lembrar, quando começou a fumar. que motivos leva a gente a escolher o cigarro como parceiro pra um monte de coisas? pois bem, dizem que influência não conta...tudo bem que fui eu quem decidiu aceitar, mas foi uma amiga que me apresentou ao cigarro. de cara, o cigarro gostou de mim, claro! tossia como louca, sentia a garganta arder, náuseas e o mundo girava sem direção, sem falar no gosto! o gosto da primeira vez será inesquecível, mas você ainda não sabe disso. porque você vai  SIM, esquecer o sabor das coisas. aos poucos. mas isto é mais pra frente.
pois bem, era uma luta: tragar, prender a fumaça, parecia malabarismo! e era. meu organismo estava sendo violentado. é sempre assim a primeira vez de um fumante. parece que a garganta vai fechar, que os olhos vão saltar das órbitas, que os pulmões, o que são eles?! porque diabos será que se comprimem tanto como se fossem estourar? pois é...tem gente que esquece as primeiras sensações. nessa minha decisão de abandonar o vício, eu quis lembrar. pelo menos tentei lembrar das primeiras e nefastas mudanças que eu mesma me causei. eu tinha 13 anos e amava correr.

segunda-feira, 29 de março de 2010

ok, vamos lá...

sobre a ideia de criar esse blog para este assunto em especial...
a) eu tenho o que dizer sobre o processo
b) espero ajudar pessoas que como eu, tomam decisões, fazem escolhas e com relação ao cigarro são derrotadas muitas vezes, por "ene" motivos
c) quero contar como consegui abandonar o cigarro, porque precisei de ajuda e tive que me virar
d) quero partilhar tudo que experimentei durante o processo de reabilitar minha vida, auto-estima, etc
e) falar sobre os efeitos, depois

fazer observações bem simples como estas

1-abandonar o vício de fumar é um processo
2- NUNCA SERÁ IGUAL ao de ninguém 
3- não É mesmo nada fácil
e principalmente
4- NUNCA será impossível.
5- EU CONSEGUI.

é trabalhoso, exige muito da gente.
a tal expressão que nos assusta [mas não assumimos] 'vencer a si mesmo todo dia', é fato, existe!
tão delicado quanto o tratamento de pessoas com a ajuda de um AA, esse é outro processo muito PESSOAL e INTRANSFERÍVEL, a gente vai precisar se policiar, aprender no próprio ritmo, próprio tempo, a doutrinar o cérebro teimoso de fumante viciado.  sim, viciado [palavrinha feia né? mas acredite, não há outra].
outra coisa que aprendi é que ninguém, nenhum de nós, fuma por prazer.
eu falava isso assim, na cara dura, porque também acreditava que gostava.

também preciso citar  o parceiro mais importante nessa decisão de abandonar o vício de fumar...há um "cara" extraordinário envolvido! eu me refiro ao [seu] cérebro.
essa super máquina toda poder e glória [sem exagero, é tudo isto sim].
se um dia você se decidir, em causa própria, a tentar, leia o que escrevo:
"converse" muito com ele, antes. mais a frente eu conto os porquês.
por enquanto é isto. bem vindo.